![]() um blog de histórias infantis escritas para adultos.
Gustavo,não tente entender, apenas sinta. "Comece pelo começo, siga até chegar ao fim e então, pare." "Não existem coincidências, apenas o inevitável." maior de idade vacinado ![]()
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{Segunda-feira, Novembro 09, 2009} he was no longer a boy but he had never used his toy Postado por Gus [7:06 PM] l Mesmerize-se aqui: _________________________ {Segunda-feira, Outubro 26, 2009} ![]() Era impossível dizer sua idade ao certo, mas beirava os 80. Tinha as rugas e o excesso de pele que toda pessoa de 80 anos tem. Seu cabelo era branco, encardido nas pontas, andava de modo lento e tinha um rosto sereno. Olhando assim, sem conhecê-la, qualquer um diria que era uma velhinha bem simpática (digo sem conhece-la pois acho que ninguém a conheceu na realidade – talvez nem ela mesma).
Tal velhinha era reconhecida por todos que freqüentavam o Ônibus 581 que passava pontualmente às 23h na Rodoviária de uma cidadezinha qualquer. A velha senhora sempre carregava em sua mão direita uma sacola cinza com dois pacotes de papel higiênico e sempre se sentava no terceiro banco da segunda fileira do lado esquerdo do ônibus. Era como um ritual e quase hipnótico de se ver. Vez ou outra, um ser distraído ou desinformado acabava se sentando no terceiro banco da segunda fileira do lado esquerdo do ônibus e a idosa se irritava. Essa era uma das poucas ocasiões em que se podia ouvir algum som emanando de suas cordas vocais: eram gritos, xingamentos e certos palavrões, querido leitor, que confesso desconhecer o significado. Esta senhora possuía essa única exigência para aqueles que a cercavam: não podiam de forma alguma sentar-se no seu banco! Sempre fazia valer esse seu ‘direito adquirido’, uma expressão que aqui significa um direito que conquistou através da sua força vocal. Foi assim durante um bom tempo. Todos que utilizavam o Ônibus 581 conheciam a velhinha e seu constante hábito de comprar papéis higiênicos. Aliás, fato este que nunca ficou bem esclarecido. Os tititis durante a viagem era diversos, mas no fim chegaram ao consenso que deveria ser por necessidades fisiológicas mesmo; isso justificaria o cheiro estranho que ela exalava. No mês de outubro, porém, a chuva começou a castigar o ambiente e caía pesada na cabeça de alguém que, por desventura ou esquecimento, houvesse esquecido de pegar o guarda-chuva antes de sair às ruas. Foi nesse período que a velha senhora desapareceu. Ninguém mais a viu freqüentar o ônibus nem seu cabelo branco encardido nem e nem o cheiro que às vezes chegava a desagradar. – Talvez tivesse medo que a chuva pudesse dissolver o precisos conteúdo de sua sacola. Independentemente do que ocorreu, ela realmente não foi mais vista; e mesmo que o ônibus estivesse lotado (o que raramente acontecia), o terceiro banco da segunda fileira do lado esquerdo nunca mais fora ocupado. Sempre quando os relógios marcavam 5 minutos antes das 23h os cidadãos, com olhos fundos e sonolentos, colavam suas cabeças nas janelinhas e procuravam, em vão, pela velhinha e sua sacola de papéis higiênicos. Mas ela não estava mais lá. E o ônibus partia. Postado por Gus [5:30 PM] l Mesmerize-se aqui: _________________________ {Domingo, Julho 19, 2009} para julia
![]() Era uma vez uma garota a qual ninguem sabia dizer o nome corretamente; dizem que era um nome até relativamente simples, mas confesso que nem eu mesmo consigo pronunciá-lo sem gaguejar sequer uma vez.
Esta garota-de-nome-dificil tambem falava de modo diferente: quando sua boca se abria escapavam ventanias, cerejeiras, doces, perfumes e veludos. Quando alguém tentava imitar sua voz o máximo que saía era uma leve brisa e cheiro de pão assado. Um dia, porém, a garota-de-nome-dificil acordou um pouco cansada: cansada das mentiras, dos cabelos encaracolados, das roupas que não combinavam, das máscaras, das noites de sexta-feira e das pessoas de nomes comuns. Resolveu, então, voltar a sua terra, onde as pessoas tambem tinham nomes dificeis e halitos doces. Postado por Gus [3:48 PM] l Mesmerize-se aqui: _________________________ {Sábado, Abril 18, 2009} ![]() Aconteceu de repente. Ele adentrou a sala com todos seus livros de professor, roupas de professor e, lógico, seus óculos de professor. Ela se encantou de primeira: suas mãos suaram, seus olhos brilharam e teve a certeza que aquele era seu príncipe encantado.
Para todas as aulas dele ela se arrumava, ajeitava o cabelo, unhas, cílios, se perfumava... tudo para encontrar seu amado. As chatas aulas de matemática haviam se tornado espetaculares. Ela adorava admirar aqueles ângulos volumosos, parábolas protuberantes e, mais que tudo, aqueles catetos apetitosos. Um certo dia quando chegou à sala de aula a garota se espantou, pois o professor havia sido substituído, assim mesmo, de repente. Ela quase desmaiou ao perceber a grandiosidade parabólica do novo professor. Dessa vez sim, ela teve a certeza que aquele era seu príncipe encantado. Postado por Gus [9:09 PM] l Mesmerize-se aqui: _________________________ {Terça-feira, Agosto 26, 2008} ![]() Na vida moderna, ninguém mais tem tempo de cadeiras na calçada e conversas entre vizinhos. isso quando há calçadas, quando há vizinhos.
Ninguém tem nem mais tempo para comer, no mundo moderno. a comida já vem pronta, mastigada, engolida e fácil de ser encontrada no mercado mais próximo. tudo já vem enlatado, empacotado, plastificado. falta parar. falta olhar. falta sentir. Ninguém, no mundo moderno, tem tempo para sua prória vida e vai vivendo a vida dos outros enquanto isso. Não se sabe mais o que é amor, não se sabe falar de sentimento. mas aquele ainda não se encontra empacotado no mercado mais próximo. as pessoas do mundo moderno não comem, não dormem, não sentem, não amam. Elas apenas... (?) e acaba que, na vida moderna, sempre termina você consigo mesmo. Postado por Gus [6:49 PM] l Mesmerize-se aqui: _________________________ {Terça-feira, Agosto 19, 2008} ![]() A lua está tão cheia esses dias. redonda e brilhante como não se apresentava há tempos. e a única razão de eu não estar com inveja é pelo fato que ela está assim por mim. não é arrogância da minha parte, é que ela vive dizendo isso.
Estou tão cheia por causa da tua felicidade, é o que ela diz, desse jeitinho mesmo. Tem felicidade para enchê-la cada vez mais (algumas noites ela está tão cheia que parece explodir). só que nem todas as gentes conseguem olhar a lua e sentirem-se felizes. noite passada, pela janela do meu quarto, flagrei um garoto tentando subir no céu com uma enorme agulha na mão. já imaginei o que iria acontecer. Ele foi colocando pé sobre pé, como se estivesse subindo em uma escada invisível e foi subindo, subindo, subindo até chegar bem pertinho do globo-dourado-brilhante. as nuvens até tentaram esconder a lua, mas com um sopro o garoto desmanchou facilmente o algodão-doce do céu. nesse ponto, a lua já sabia seu fim; chorava um sereno prata, que molhava o cabelo das moças que estavam cá no chão. Meus olhos teimavam em não acreditar no que viam. em um movimento rápido e pof! A gorda lua foi murchando igual balão furado, minguando, minguando... até se tornar um riscozinho cintilante na imensidão escura. toda a felicidade se fora. O garoto foi para casa e deitou sua cabeça sem peso sobre o travesseiro de plumas. e antes que a noite terminasse, a lua, sussurrando, pediu que eu não chorasse, mas sim sorrisse, que no próximo mês estaria novamente cheia da minha felicidade e eu poderia admirá-la, enfim. Postado por Gus [8:29 PM] l Mesmerize-se aqui: _________________________ {Domingo, Agosto 10, 2008} ![]() me lembro do início que você disse que só existia de vez em quando e eu, em toda minha meninice, relutei em acreditar; pensei poder te fazer surgir mais vezes, como quando precisei de companhia para o sorvete naquelas tardes de domingo de camomila.
se dissolvia tal qual fumaça quando eu tentava te tocar, igual criança tentando agarrar a neblina, a qual, mesmo sentindo cócegas, sabe ser um esforço inútil. e era quando você não estava por perto que o sol se escondia, o tempo nublava e nem mesmo as crianças saíam às ruas para brincar. quando você resolvia voltar, porém, a magia também voltava. e o céu novamente era azul. Postado por Gus [9:06 PM] l Mesmerize-se aqui: _________________________ {Sexta-feira, Julho 25, 2008} ![]() dá saudade olhar para trás e ver tudo que já passou, pessoas que aconteceram e momentos sem iguais.
parece que foi ontem o rock, o cabelo azul, a alegria sem motivo, a ingenuidade, a vontade e os almoços nas tardes de sexta. tem gente que marca sem nem saber e tem marcas que ficam sem nem notarmos. uma espanada para tirar o pó. e costumo guardar isso tudo numa velha caixa de sapatos embaixo da cama: pessoas, lembranças, momentos. segredos, até. noutro pedacinho da caixa eu guardo a infância, que me dói pensar que pouco a pouco vai se desgrudando e me fazendo esquecer das longas tardes no sítio (qual era a cor da grama mesmo?) sabe, tudo era tão simples e tão bom que gostaria de saber onde isso foi parar. continuar subindo é necessário, mas inevitável evitar uma olhadela para baixo e dar aquela vontade louca de pular, enlouquecer e arrancar os fios brancos, um a um. então acho que é melhor começar a subir esses degraus mais rápido para poder desfrutar logo da cobertura e minha água de coco geladinha. sem esquecer nunca da velha caixa de sapatos debaixo da cama. Postado por Gus [2:31 AM] l Mesmerize-se aqui: _________________________ {Sexta-feira, Julho 18, 2008} ![]() aqui, toma, pode morder um pedacinho do meu coração... anda! tem gosto de morango, te garanto que é bom.
ai! vai com calma! morde com jeitinho... não é assim. assim você me machuca. não é assim que se trata um coração, ainda mais um que tem sabor. não existem muitos desse tipo hoje em dia. sei que nunca experimentou um que fosse assim... então vai devagar. não, não engorda, muito pelo contrário. mas lembre-se sempre de morder com cuidado e bem pouquinho. assim ele dura por mais tempo. Postado por Gus [9:09 PM] l Mesmerize-se aqui: _________________________ {Terça-feira, Julho 15, 2008} ![]() Era uma vez uma linda princesa que vivia em um reino distante mas muito feliz. Um dia, em suas andanças, avistou um belo cavaleiro. Conheceram-se e apaixonaram-se como por mágica. A festa de casamento foi grandiosa.
Acordavam com o cantar dos passarinhos, passavam a tarde em piqueniques embaixo de frondosas árvores frutíferas e adormeciam com o brilho das estrelas tocando-lhes a face. Não tardou muito e veio gás, telefone, energia, trigêmeos, trabalho, problemas, brigas e foi-se a magia, passarinhos, piqueniques e estrelas. O belo casal descobriu o divórcio e a pensão. E viveram felizes para sempre. imagem escolhida por lucas gandin Postado por Gus [1:39 AM] l Mesmerize-se aqui: _________________________ {Sábado, Julho 05, 2008} Ganhar o primeiro relógio é uma sensação indescritível e tenho impressão que qualquer garoto desse mundo já sentiu isso (digo os desse mundo porque os de outros mundos costumam dar valor a outras coisas que consideram mais importantes, tipo bolas e jogos eletrônicos).
Nunca me esqueço do dia em que ganhei o meu. Foi presente de uma madame, daquelas pomposas e com cabelo de poodle, que adoram apertar a gente até deixar sem ar e de resmungar quando as coisas não vão como elas querem. Quando o coloquei no pulso... nossa! Com ponteiro e tudo! Tão novinho, tão bonito e tão relógio! Lembro-me que passava horas a olhar para ele só para ver seus ponteiros pulando de número em número e ele, tão contente, se divertia me dizendo as horas sempre que eu quisesse, mesmo até sem precisar. Quando meu relógio já estava bem velhinho, quase sem conseguir trabalhar direito, acabei dando-lhe um fim. Semanas depois ganhei um outro, nem tão bonito e nem tão relógio como meu primeiro, e então olhar as horas nunca mais teve a mesma graça. Postado por Gus [6:25 PM] l Mesmerize-se aqui: _________________________ {Segunda-feira, Junho 23, 2008} ontem me senti um pouco enjoado.
acho que acabei vomitando sonhos e esperanças. Postado por Gus [4:34 PM] l Mesmerize-se aqui: _________________________ {Domingo, Junho 22, 2008}
sabe que nunca gostei mesmo de flores plásticas; nunca souberam responder minhas perguntas e ainda por cima fazem questão de me ignorar e nada dói mais do que ser ignorado, os cravos sabem bem disso.
já prefiro comer sementes de girassol ou o lado esquerdo do cogumelo, que é o que faz a gente crescer, mesmo que só um pouquinho. é incrível como cabem tantas coisas em uma mesma primavera. Postado por Gus [6:20 PM] l Mesmerize-se aqui: _________________________ {Quarta-feira, Junho 18, 2008} ![]() ao passar, reparou na foto antiga que repousava na estante, tranquila, amarelada, até com pedacinhos carcomidos. já não reconhecia mais nem metade das pessoas que posavam ao seu lado, exibindo seus sorrisos discretos.
já passara a hora de trocar velhas fotos, isso ele sabia. com a nova foto, as cores brilhavam vibravam pareciam querer jogar. mas as pessoas, as pessoas eram as mesmas, os sorrisos eram os mesmos e ainda eram amareladas. ele ainda não reconhecia nem metade das pessoas que estavam ali, e foi nesse momento que ele percebeu que você pode conhecer uma pessoa 1000 anos e mesmo assim ainda não conhecê-la. Postado por Gus [9:58 AM] l Mesmerize-se aqui: _________________________ {Quarta-feira, Maio 28, 2008} ![]() Havia um bom tempo que eu não parava para olhar as estrelas - ou eram elas que tinham parado de me olhar?
Nem me lembrava o quão estrelada uma estrela pode ser. Acho que hoje devem estar felizes: piscam de um lado pra outro, ensaiam passos de dança (algo clássico, não saberia ser exato) e as mais espertinhas ainda se arriscam, cadenciando. Deitado na minha rede, agora conto uma por uma, só tomando cuidado pra não confundir o brilho das estrelas com o brilho dos vagalumes. Postado por Gus [10:09 PM] l Mesmerize-se aqui: _________________________ |